“BOLSA DO LIXO” PROMOVE A RECICLAGEM

Setorial

 Reciclar embalagens usadas dos produtos que comercializam (tecnicamente chamada de logística reversa de embalagens pós-consumo) tornou-se um desafio para as empresas após a sanção da lei que estabeleceu a nova Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Basicamente, havia três opções: fazer todo o recolhimento com recursos próprios, criar postos de coletas voluntários ou investir em uma cooperativa. Isso até o surgimento da Bolsa Verde do Rio de Janeiro (BVRio), associação sem fins lucrativos que faz a intermediação entre empresas e cooperativas de reciclagem de lixo.
Funciona assim: a cada tonelada de material reciclado, a cooperativa inscreve um crédito no BVTrade (mercado de ações de crédito) disponível no site da Bolsa Verde, e esse crédito é então comprado pela empresa que precisa reciclar as embalagens, o que serve como prova documental da reciclagem exigida por lei e aumenta a remuneração dos catadores, incentivando a atividade. Segundo os responsáveis pela BVRio, é uma forma de a empresa terceirizar esse serviço, economizando recursos. A Bolsa Verde já atua em 22 Estados brasileiros, com a participação de 118 cooperativas que congregam 4.500 catadores. A média mensal de embalagens recicladas chega a 7 mil toneladas.

Gerencie, não desperdice
A ação da BVRio é um exemplo do que se chama de “gerenciamento do desperdício”, ou seja, como potencializar economicamente materiais anteriormente desperdiçados ou atirados no lixo. Desde os resíduos das minas de carvão, aproveitados na indústria química para fabricar películas de filme ou medicamentos, até as tíbias de bovinos transformadas em cabos de facas ou cola, ao longo das décadas inúmeras experiências comprovaram as vantagens econômicas do gerenciamento desses resíduos – além de seu potencial inovador.

Na era digital, esse gerenciamento salta de matadouros e minas de carvão para a internet, na qual ainda hoje há uma subutilização da capacidade de processamento dos computadores a ela conectados. O Projeto SETI, por exemplo, que visa analisar o máximo de sinais de rádio possível para verificar se há vida extraterrestre inteligente, já conseguiu a adesão de 4 milhões de pessoas em todo o planeta que “emprestam” seus computadores conectados à sua rede para processarem sinais de rádio durante períodos de inatividade e acumularem dados para a pesquisa.

O gerenciamento de resíduos só tende a ganhar importância: recente relatório do Banco Mundial revela que o mundo produz anualmente cerca de 1,3 bilhão de toneladas de resíduos sólidos – quantidade que deverá atingir os 2,2 bilhões de toneladas em 2025. Além do aspecto econômico, há ameaças ao meio ambiente: segundo o mesmo relatório, com o crescimento das concentrações urbanas, a emissão de gás metano de aterros deve subir de 34 milhões de toneladas para 48 milhões em curto período.

Exemplos a serem seguidos
O crescimento da consciência sobre a necessidade do gerenciamento de resíduos produziu inúmeros casos de experiências ou projetos interessantes que podem servir de exemplo para todos. A seguir, destacamos alguns deles:

Ilhas de lixo – Projeto do escritório de arquitetura Present propõe construir ilhas gigantes de compostagem para tratar o lixo em torno de Nova York, sem necessidade de transporte a longa distância (o que hoje custa US$ 300 milhões anuais à cidade). A ilha teria dois andares: no inferior, seriam manejados os resíduos orgânicos; no superior, haveria plantio de diversas culturas, aproveitando a matéria orgânica produzida localmente.

Calor de lixo – Oslo, a capital norueguesa, é grande importadora de lixo doméstico, industrial ou hospitalar, cuja queima gera metade da eletricidade e do calor consumidos na cidade de 1,4 milhão de habitantes. Todo o norte da Europa vem seguindo o exemplo de Oslo. Como a demanda é muito superior à oferta de lixo, os resíduos viraram uma espécie de commodity.

Fonte: Época Negócios

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